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TEMPOS DE PERMANÊNCIA ATIVA DO CORONAVÍRUS

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O ano de 2020 já entrou para a história mundial pelo surgimento de um novo coronavírus humano, o SARS-CoV-2, vírus que causa a enfermidade COVID-19. Devido a sua ampla disseminação, alcançou o grau de pandemia tornando-se um problema planetário de saúde, devido à possibilidade de causar graves infecções do trato respiratório humano podendo, em muitos casos, ser fatal.

As transmissões de humano para humano ocorrem principalmente pela via respiratória, através de gotículas expelidas pelo nariz ou boca da pessoa contaminada e pelo contato direto, uma vez que as gotículas podem se Depositar sobre superfícies, onde o vírus poderá permanecer por um período de tempo, possibilitando que outras pessoas entrem em contato e venham contraí-los. O período de tempo entre a exposição ao vírus e o momento em que os sintomas começam (período de incubação) é geralmente de 5 a 6 dias, mas pode variar de 1 a 14 dias, o que facilita a sua propagação. Os sintomas conhecidos até o momento são febre, cansaço, tosse seca, congestão e corrimento nasal, diarreia, dificuldade para respirar e, em casos de maior gravidade, pneumonia, falência renal e até a morte.

O tempo em que as partículas virais, liberadas junto com a saliva, podem permanecer flutuando no ar é de cerca de 40 minutos a 2h30min. Os vírus que se depositam sobre uma superfície, dependendo das características dessa superfície, podem permanecer ativos por algumas horas ou até dias. Estudo recente, publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que o vírus fica ativo por até 72 horas em plásticos e, também, no aço inoxidável. No papelão o vírus é capaz de permanecer ativo por 24 horas, enquanto que em superfícies de cobre permanece por até 4 horas. Virologistas integrantes do Centro de Pesquisa em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explicam que, embora não exista, ainda, estudos conclusivos sobre a permanência deste vírus em Diferentes tipos de tecidos, trabalhos com outros patógenos já apontaram que, de forma geral, os vírus podem ter sobrevida de 72 a 96 horas quando assentados em panos. Portanto, roupas que são suspeitas de estarem infectadas com o coronavírus devem ser desinfetadas com água e sabão e, de preferência, lavadas com água quente.

Mas a quantidade de vírus existentes nas superfícies vai diminuindo com o passar do tempo, reduzindo o risco de contaminação. O mais importante é evitar tocar em superfícies com as quais muitas pessoas têm contato, o que inclui mesas, bancadas, maçanetas, interruptores, telefones, teclados, torneiras, tecidos etc. A limpeza das superfícies muito tocadas pelas pessoas, com desinfetante (cloro) ou água com sabão costuma ser muito eficaz no combate a deste vírus.

Logo, se sobressai as indagações: E quando a água está contaminada com o coronavirus? Como “limpá-la” ? A resposta que dispomos é no sentido que, embora este vírus já tenha sido recentemente encontrado em esgotos domésticos, não se sabe, ainda, o tempo certo de sua permanência ativa nestes líquidos. Porém, estudo publicado por Casanova e colaboradores, em 2009, já havia identificada a persistência de vírus semelhantes ao SARS CoV-2 em águas naturais e nos esgotos por mais de 10 dias.

Em outra pesquisa, conduzida em testes in vitro por Wang e colaboradores em 2005, foi avaliada a persistência do vírus responsável pela SARS em água de torneira sem desinfecção (sem adição de cloro), águas residuárias de hospital e esgoto doméstico, verificando a permanência do vírus nesses ambientes por 2 dias a uma temperatura média de 20 ºC. Entretanto, a permanência do mesmo vírus em fezes e urinas foi de, respectivamente, 3 e 17 dias. E, nesses casos, verificou-se que, para a desinfecção segura da água e a inativação completa do SARS-CoV, bastava uma concentração de cloro residual acima de 0,5 mg/L, sendo verificada a inativação completa do SARS-CoV. Estes resultados sugerem que a prática padrão de cloração realizadas nas Estações de Tratamento Esgotos (ETE) e nas Estações de Tratamento de Água (ETA) podem ser suficientes para desativar os coronavírus, desde que as concessionárias monitorem o cloro disponível durante todo processo dos respectivos tratamentos e, principalmente, na manutenção do cloro residual nas redes de abastecimento de água.

Nesta mesma pesquisa, testes in vitro realizados com a inoculação do SARSCoV em amostras de esgoto proveniente de um hospital localizado em Pequim, na China, que recebeu indivíduos infectados com a SARS, demostraram que o vírus permaneceu infeccioso por mais de 14 dias a 4°C e por 2 dias a 20°C. Ademais, o RNA (Ácido Ribonucleico – que também participa do fluxo de informações genéticas) do vírus, pôde ser detectado por 14 dias nas amostras de esgoto mantidas a 4°C e por 8 dias nas mantidas a 20°C, o que pode sugerir uma tendência de inativação para temperaturas mais elevadas.

Portanto, cuidado ainda maior se deve ter nas áreas desprovidas de rede de esgotos e, principalmente, de rede de abastecimento de água potável (que não foram tratadas com cloro ou outro agente desinfetante) como é o caso de vários municípios que possuem tratamentos precários e nas inúmeras áreas rurais que existem em nossa região.

Neste atual momento, a INFORMAÇÃO e a PREVENÇÃO se constituem em armas poderosas, porém simples para combatermos com mais efetividade essa guerra em que o inimigo é invisível a olho nu. Assim, se torna imperativo o distanciamento social, a higienização constante, além de não nos expormos (muito menos de forma desprotegida) a ambientes onde o coronavirus esteja presente de forma ativa.

Texto escrito por

José Carlos Simões Florençano
Engenheiro Civil e Sanitarista




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